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quarta-feira, 24 de outubro de 2007

AS Roma 2 - 1 Sporting CP

Sinceramente, ontem gostei do Sporting, no global.

Quando vi o sorteio, e após ver alguns jogos da Roma, não esperava uma equipa do Sporting tão personalizada e tão olhos-nos-olhos frente aos italianos. As lesões de vários jogadores importantes, como o são Aquilani, Taddei, Perrotta e, durante o jogo, Totti, condicionaram bastante o futebol da Roma mas o que é certo é que, mesmo assim, os jogadores que apresentaram são de elevadíssimo nível. No lado do Sporting, as ausências de Stojkovic e Polga seriam sempre lacunas demasiado importantes para contornar. Neste caso, penso que Paulo Bento teve duas más opções, à partida, embora compreendesse a escolha do Veloso para central, o que se provou não ser má opção de todo, ao longo do jogo.

Para este jogo, já esperava muitas dificuldades nas bolas paradas. As grandes equipas europeias são cada vez mais especialistas nestes lances e, no Sporting, parece que simplesmente se desconhece que é possível treinar e aperfeiçoar esta decisiva componente do jogo, tanto ofensiva como defensivamente. Para ajudar à festa, lá estava o Tiago, simplesmente péssimo neste tipo de jogadas. Não estranhei muito que, logo aos 15m, já a Roma tinha enviado uma bola à trave e inaugurado o marcador, exactamente em dois pontapés de canto. No golo, culpas claras para duas pessoas: quem meteu o Vukcevic, esse altíssimo jogador e especialista em jogo aéreo, a marcar o Juan e, claro, o Tiago, com uma saída, no mínimo, débil.

Poucos minutos depois, grande golo de Liedson e, em abono da verdade, grande cruzamento do Abel, essa que teima em ser uma das suas lacunas, principalmente na regularidade com que acerta. Pensei que podia ser um bom mote para a equipa se agigantar e conseguir algo mais mas nem por isso. O resto da primeira parte foi morno, sem grandes jogadas de perigo.

A segunda parte começou muito mal para o Sporting. Ataque da Roma pela direita, onde Ronny não consegue parar Cassetti. Aqui, Veloso parece ter o lance ganho mas, em vez de aliviar a bola para fora, prefere fazer uma simulação para a deixar sair pela linha de fundo... o problema é que não viu que estava lá Vucinic, que aproveitou para ficar com a bola e tentar furar pelo meio dos dois centrais leoninos. Embora a falta tenha sido completamente forçada pelo montenegrino, ao contrário da generalidade da crítica, eu acho que é penalty, pois Tonel e Veloso fazem como que uma barreira com as pernas e, se não tocam na bola, então haverá lugar à marcação de uma grande penalidade. Mancini rematou muito mal e Tiago soube segurar o empate, com uma boa defesa e bons reflexos a impedir a recarga do brasileiro.

Quando a equipa leonina se mostrava claramente como dona do meio-campo e do jogo, foi num contra-ataque que os italianos deram uma machadada fatal às aspirações do Sporting: lance individual de Vucinic e bola no fundo das redes de Tiago. Pelo meio, figura muito feia de Abel (que chegou a ter superioridade evidente no lance mas, para não deitar para canto, tentou fazer um toque mais complicado e foi batido...) e de Tonel (que se fez ao lance como um qualquer iniciado.. totalmente "à queima").

Antes do golo, e estando o Sporting em cima da Roma e com uma possibilidade história de sair de Itália com os 3 pontos, bastando um forcing final, já Paulo Bento se preparava para meter o inconsequente Paredes. Estranhei a substituição, visto que esta não fazia qualquer sentido, a não ser para a saída da Ronny, ficando com 3 defesas e com Paredes ao lado de João Moutinho. Depois do golo, a sua entrada não fazia qualquer sentido. Mesmo assim, Paulo Bento manteve a substituição e, em vez de arriscar logo e dar um sinal claro que de pretendia o empate, tira o Vukcevic (que, depois de um jogo muito fraquinho, estava a começar a aparecer...) e mete o Moutinho a interior, onde rende muito menos. Não fez sentido... Assim se viu, pois o Sporting deixou de existir no meio-campo. Eram só pontapés para a frente do Veloso.

As restantes substituições continuaram a não ter nexo algum, como tem sido apanágio em Paulo Bento, pois o Djaló, com uma 2ªparte miserável, e o Romagnoli, o melhor do Sporting até "rebentar", lá para os 65m, deveriam ter saído.

Assim não foi. Derrota normal, antes do jogo, derrota difícil de aceitar, depois dele. Perdeu-se uma oportunidade de ouro.

Agora... Venham as tão portuguesíssimas contas...
PS: Infelizmente, por razões profissionais, não poderei ver os jogos de Porto e Benfica, pelo que não poderei comentar as suas exibições. Resta-me desejar boa sorte a ambos.

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Foi hoje o sorteio da fase de grupos da Uefa Champions League.
Sendo sempre complicado falar em "bons sorteios" numa fase destas, dada a imensa qualidade das equipas presentes, há sempre equipas/grupos a evitar. No caso das equipas portuguesas, penso que a fava saiu (novamente) ao Sporting. O Benfica também poderá ter uma tarefa complicado enquanto que, à partida, o Porto é, das três, a que se apresenta com mais condições de seguir em frente. Mas vamos aos grupos:

GRUPO A
Liverpool (Inglaterra)
PORTO (Portugal)
Marselha (França)
Besiktas (Turquia)

GRUPO D
Ac Milan (Itália)
BENFICA (Portugal)
Celtic (Escócia)
Shakhtar Donetsk (Ucrânia)

GRUPO F
Manchester United (Inglaterra)
A.S. Roma (Itália)
SPORTING (Portugal)
Dinamo Kiev (Ucrânia)

De facto, penso que o Porto é quem tem a tarefa mais facilitada, à partida. O (meu adorado) Liverpool está muito forte esta época, mas Marselha e Besiktas são acessíveis para o Porto. Analisando o actual percurso dos adversários da equipa portista, no que concerne à competição caseira:
  • Liverpool: 5º lugar (2v, 1e). Tem um jogo a menos que o líder Chelsea e, a par do Arsenal, são as únicas equipas com possibilidades de igualar o líder. Para esta época, os ingleses reforçaram-se bastante, com jogadores de topo, como são Fernando Torres, Ryan Babel, Andrey Voronin ou Yossi Benayoun.
  • Marselha: Arranque de época bastante negativo, com apenas 6 pontos em 6 jogos (1v, 3e, 2d), o que os faz ficar num desconfortável 14º lugar. Tem como grandes figuras Djibril Cissé, o veterano holandês Zenden e a estrela em ascensão Samir Nasri.
  • Besiktas: Em 1º lugar, empatado com o Galatasaray, com 3 vitórias em outras tantas partidas, a equipa do ex-sportinguista Rodrigo Tello prepara-se para tentar ser o outsider do grupo. Sempre com um grande apoio nos jogos caseiras, será esse o seu trunfo para pontuar ao máximo.
O Benfica de Camacho terá pela frente, nada mais nada menos, que o campeão europeu AC Milan, bem como os repetentes Celtic e os perigosos ucranianos do Shakhtar Donetsk. Com um calendário nada positivo, principalmente pela deslocação à Ucrânia já em Dezembro, prevê-se tarefa complicada para as águias.
  • AC Milan: Campeão em título, é das equipas mais fortes e, provavelmente, a mais indesejada de toda a competição. A sua organização defensiva é uma autêntica muralha e é muito complicado perder um jogo. Equipa liderada por jogadores como Paolo Maldini, Alessandro Nesta, Andrea Pirlo, Clarence Seedorf, Kaká, entre muitos outros, apresentam-se de novo como fortes candidatos à (re)conquista do caneco.
  • Celtic Glasgow: Repete a presença no grupo do Benfica, tal como fizera na época transacta (ambas as equipas venceram por 3-0 no seu reduto). Equipa britânica ao seu mais puro nível, embora tenha em dois estrangeiros as principais figuras: Nakamura e Hesselink. Apesar dos escoceses se terem classificado em 2006/2007, penso que os encarnados poderão ter aprendido com os erros cometidos no jogo de Glasgow e passar à próxima fase.
  • Shakhtar Donetsk: Embora não seja um nome tão sonante como os anteriores, os ucranianos podem ser um adversário bastante complicado. Com uma grande colónia de estrangeiros, esta é uma equipa que promete bastante. Os largos milhões de euros gastam pelo clube, serviram para contratar excelentes jogadores, tais como Lucarelli, Nery Castillo ou Ilsinho. A recepção ao Benfica acontecerá já em Dezembro, o que se prevê péssimo, devido ao rigoroso Inverno que se costuma sentir por lá.
Mais uma vez, a sorte não sorriu ao Sporting. É certo que fica complicado quando se está no pote 3 mas, mesmo assim, podia ter sido um sorteio mais simpático. Manchester United, de Ronaldo e Nani, os italianos da AS Roma e os ucranianos do Dinamo Kiev foi quem calhou na rifa ao clube de Alvalade.
  • Manchester United: Início de época bastante complicado, agravado com a lesão de Wayne Rooney e o castigo interno, de 3 jogos, para Cristiano Ronaldo, o Man Utd não foi para além de 5 pontos em 4 jogos (1v, 2e, 1d), sendo este um dos piores arranques da história do clube. As contratações milionárias de Nani e Anderson, o regresso a Inglaterra de Owen Hargreaves e o empréstimo de Carlos Tévez são as principais mexidas na equipa de Sir Alex Ferguson.
  • AS Roma: Os italianos têm em Totti o seu maestro e principal figura, e outros nomes sonantes, como Giuly, Vucinic, David Pizarro, Juan e Cicinho. As equipas italianas são sempre muito complicadas e presume-se que a Roma não será excepção.
  • Dinamo Kiev: Será sempre difícil enfrentar equipas de leste, como o Sporting comprovou na edição anterior da competição, e o Dinamo não deve ser excepção. Fortes física e tacticamente, poderão complicar a vida aos adversários. Para já, o clube leonino tem a vantagem de jogar na Ucrânia já na 2ª jornada, a 2 de Outubro, evitando assim o Inverno russo.

Seria excelentes que todas as equipas portuguesas passassem à fase seguinte. Infelizmente, parece-me que Sporting e Benfica têm tarefa bastante complicada. A 1ª jornada arranca já a 18 e 19 de Setembro e, com todas as equipas a defrontarem os cabeças de série do seu grupo (Benfica em Milão, Sporting e Porto em casa), urge começar em grande estilo e a pontuar, de forma a evitar a tão portuguesa necessidade de contas finais !

O Benfica garantiu, em Copenhaga, a tão desejada presença na Fase de Grupos da milionária Liga dos Campeões. Após uma vitória, na Luz, por 2-1, com dois golos do maestro Rui Costa, os encarnados confirmaram a passagem com uma sofrida vitória no Parken (com um relvado totalmente degradado, após um concerto dos Rolling Stones a meio do mês...), com um golo de Katsouranis.

O jogo não começou bem para o Benfica. Os dinamarqueses entraram fortes e pressionantes, com o objectivo de chegar ao golo o quanto antes, golo esse que lhes daria vantagem na eliminatória. Nos primeiros 15 minutos, os donos da casa tiveram várias oportunidades para marcar, com destaque a dois lances em que valeram os encarnados Léo e Cardozo, a negarem dois golos feitos já em cima da linha de golo.
Ao minuto 17' veio o golo encarnado. Livre frontal à baliza de
Christiansen, com Rui Costa a bater para o centro da área, Cardozo a desviar para Nuno Gomes e este a assistir Katsouranis que, sem dificuldades, bateu o dinamarquês, com um forte pontapé já bem no coração da área. Seguiram-se alguns minutos de superioridade do Benfica, com Di Maria a desperdiçar a melhor oportunidade de ampliar a vantagem.
Pouco depois, o Copenhaga voltou à carga e reclamou-se penalty de Miguel Vítor sobre Allback. De facto, o jovem português puxou a camisola de Allback mas rapidamente a largou e só alguns segundos depois é que este se atirou para o chão. Bem o árbitro da partida, o holandês Eric Braamhaar. Volta a pressão dinamarquesa e, de livre directo, o lateral esquerdo Jensen envia a bola ao poste direito da baliza de Quim. Alguns minutos depois é a vez de Di Maria recuperar uma bola à entrada da área contrária e, sem pedir licença, fazer um remate... mas saiu à figura de Christiansen. Na resposta, é a vez de Allback atirar, de cabeça, ao lado da baliza de Quim, quando estava totalmente sozinho na área, sem a marcação de qualquer dos centrais encarnados. Logo de seguida veio o intervalo, tão necessário para os lados encarnados.

A segunda parte começou de forma bem diferente. A equipa do Benfica, principalmente no que concerne à defesa, surgiu bem mais adiantada no terreno, afastando mais facilmente os dinamarqueses das zonas de perigo. De facto, este foi um período muito menos interessante, com os encarnados a tentarem sair rápido para o ataque mas a bola a perder-se quase sempre nos exageros do estreante Di Maria e com os dinamarqueses a usarem e abusarem das bolas bombeadas para a área adversária, sem grande resultado, graças à excelente prestação aérea de Katsouranis e dos pequeninos Petit e Miguel Vítor.
Nos últimos 15 minutos o perigo voltou a rondar a baliza de Quim, ainda que de forma bem mais tímida e atabalhoada do que na primeira parte. Foi o tudo por tudo da equipa da casa que, nos lances finais, colocava quase toda a gente da área encarnada. Sem resultados práticos, diga-se, pois tanta gente acabava apenas por atrapalhar.

De destacar a grande exibição de Petit (mais uma!) e do excelente trabalho dos dois centrais na parte final, embora tenham falhado inúmeras vezes na primeira parte. Cardozo a ter também um papel importante, principalmente pelo respeito que impõe, o que fez com que a aventura dos gigantes Gravgaard e Hangeland no ataque fosse bem mais remota, e também pela preciosa ajuda que deu a defender, nas bolas paradas.

Di Maria estreou-se... Mostrou bons pormenores, velocidade e boa técnica, mas ainda tem de aprender a jogar mais em equipa. Claro que era apenas o primeiro jogo e o entrosamento não há-de ser igual ao de aqui a 3 meses, mas a eficácia da equipa pecou muitas vezes pelos seus exageros.

Parabéns ao Benfica pela terceira presença consecutiva na fase de grupos da Liga dos Campeões e vamos ver o que o sorteio ditará...
Será hoje, 17h, em directo na RTP1.