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quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Sporting C.P. 2007/2008

A equipa de Paulo Bento apresenta-se para esta nova época com uma novidade em relação ao que tem sido a sua história recente no que respeita a contratações: a viragem para Leste. De facto, são nada mais do que 6(!) atletas vindos de Leste, embora o mais recente reforço, Celsinho, seja um dos muitos emigrantes brasileiros que tentam a sua sorte em terras russas. Em relação à época anterior, constatamos que saíram quatro titulares: o forçado Caneira, os "goleadores" Alecsandro e Bueno (que, para esta contagem, contam apenas como um só, por iam alternando na titularidade), o super overrated Nani (na minha opinião...), o encarnado Ricardo e o Judas Rodrigo Tello.
Para colmatar estas saídas, e para fazer valer o desejo de Paulo Bento contar com, pelo menos, dois atletas por posição, foram feitas nove contratações e promovidos os júniores/emprestados Daniel Carriço, Paulo Renato e Yannick Pupo (o brasileiro não convenceu e, após ter rejeitado ser emprestado ao Fátima, pode voltar ao Brasil). Vamos então por sectores:
  • Na baliza, por forma a colmatar a saída do internacional português e ex-capitão Ricardo, foi contratado o também internacional sérvio Stojkovic, um gigante de 1,95m. Como alternativas, a promessa Rui Patrício e um homem da casa (11ª época ao serviço do clube) Tiago, agora promovido a terceiro capitão.
  • Mantendo-se sob o comando de Anderson Polga, o sector defensivo viu-se privado de dois dos mais titulares jogadores da época transacta (Caneira e Tello), pelo que quatro das suas oito caras são novos jogadores. Ainda assim, as opções de Paulo Bento têm recaído sobre atletas que já faziam parte dos quadros do clube na época transacta, sendo o 4-base, neste momento, composto por Abel, Tonel, Polga e Ronny. Destes todos, apenas Ronny não merece toda a confiança por parte dos adeptos leoninos. Marian Had, reforço esloveno, e Pedro Silva, lateral ex-Corinthians, estão na calha por um lugar nas alas, sendo que ambos podem ocupar o lugar de Ronny. Foi aí, inclusivé, que Pedro Silva se estreou frente ao F.C. Porto, na Supertaça, jogo em que se lesionou aos 7m. Para o eixo da defesa, o júnior Paulo Renato parece funcionar como quarta opção, sendo que Gladstone já demonstrou ter qualidade para não fazer descansar Tonel e, na minha opinião, deveria já ter ganho o lugar.
  • O losango veio para ficar. Neste sentido, foram adquiridos jogadores a pensar nesse mesmo esquema, tal como sublinhou Paulo Bento hoje, em entrevista para a Sporttv. Sendo assim, e com a saída de excedentários como João Alves e Carlos Martins e com a venda de Nani e Custódio, são quatro as caras novas: o ex-júnior Adrien Silva, a grande surpresa da pré-época, provavelmente, o montenegrino Simon Vukcevic, o russo Marat Izmailov e o mais recente reforço, o brasileiro Celsinho. A compra definitiva do passe de Romagnoli também foi um reforço para o clube, embora não seja uma cara nova. Para além destes, mantêm-se da época transacta os titularíssimos Miguel Veloso e João Moutinho e ainda Bruno Pereirinha, Carlos Paredes (que poderá ainda deixar o clube...) e Pontus Farnerud. Se Veloso se mantém como trinco e Moutinho como interior, direito ou esquerdo, as outras posições não me parecem minimamente entregues. Izmailov, Vukcevic e até Adrien já provaram que podem entrar nas contas e o montenegrino penso que pode mesmo ser uma melhor solução para a posição 10 do que Romagnoli.
  • Na frente, Liedson e Derlei estão insuperáveis, por agora. De facto, o segundo jogo (e primeiro golo..) oficial do ninja brasileiro foi a cereja no topo do bolo de uma excelente exibição, coroada comaeleição de MVP nos mais diversos locais. Como tal, e dada a cumplicidade que ambos revelam, é dele o lugar ao lado de Liedson. Como alternativas, restam o veloz Yannick Djaló e a torre montenegrina Milan Purovic. O português parece algo atrás nesta corrida. Já Purovic, embora uma lesão o tenha afastadodas duas primeiras convocatórias, poderá ser uma opção bastante válida para jogos em que os adversários se encontrem demasiado fechados no seu reduto, fazendo valer o seu jogo aéreo, no alto dos seus 1,92m.
Após um inesperado segundo lugar na Liga, uma vitória na Taça de Portugal, uma vitória na Supertaça Cândido de Oliveira e um conjunto de resultados bem animadores, o Sporting arrancou a nova época da Liga bWin.com com uma vitória por 4-1 frente à Académica, em Alvalade. Apesar de serem bons números, estes pecaram pela enorme ineficácia demonstrada por... Liedson. Contudo, a segurança defensiva (principal estandarte do Sporting de Bento) foi posta em cheque algumas vezes ao longo da partida, situação que não agradou minimamente ao técnico, até porque, se neste jogo a vantagem era larga, no futuro estes erros poderão custar caro. E segue-se uma visita ao Dragão...

terça-feira, 21 de agosto de 2007

F.C. Porto 2007/2008

Os bi-campeões nacionais apresentam-se para esta nova época com dez caras novas (aqui não conto com Fernando que foi emprestado ao Estrela da Amadora) e com diversas saídas, algumas delas milionárias (principalmente Pepe e Anderson). Como tem sido hábito desde há vários anos para cá, o Porto voltou a emprestar diversos jogadores a equipas da principal divisão nacional (e ainda Ibson para o Flamengo).
Quanto a contratações, o grosso do grupo é sul-americano: nada mais nada menos que sete (três brasileiros, três argentinos e um uruguaio). Curiosamente, a equipa que aparece, neste momento, como a equipa
com melhores condições para ser apresentada é um onze 100% transitório da época anterior. Mas vamos por partes...
  • Na baliza, e apesar de uma pré-época em bom nível do regressado Nuno, Helton é dono e senhor do lugar. Ainda se chegou a ponderar sobre se Nuno deveria ou não garantir o lugar, visto que o brasileiro integrou os trabalhos da equipa já com a pré-época em fase terminal, mas rapidamente se percebeu que tal não iria acontecer.
  • Se nos outros sectores as entradas se deram mais no sentido de reforçar as soluções, pois não houve nenhuma saída fulcral (Anderson não pode ser considerado como tal, pois perdeu grande parte da época devido a uma grave lesão), na defesa não se pode dizer o mesmo. E não foi uma simples saída... Foi Pepe, o patrão do sector recuado nas últimas duas épocas. A solução veio de dentro e, até ver, passa pelo capitão Pedro Emanuel que, tal como Pepe, terá um Bruno Alves completamente diferente e mais evoluído do que quando apareceu. Nas laterais, dois dos laterais que mais gosto de ver actualmente: Bosingwa e Fucile. Como alternativas, surgirão Stepanov, João Paulo, Lino e, na eventualidade, o polivalente Marek Cech.
  • Na teoria, o meio-campo do Porto é uma zona cheia de soluções. Para funções mais defensivas, de combate, Paulo Assunção parece imprescindível. Mas, pelas amostras da pré-época, é preciso ter em atenção o argentino Bolatti ! Um pouco mais à frente é que começam a surgir as dúvidas... Se Jesualdo Ferreira optou, neste início de época e dada a ausência de Lucho Gonzalez e a inadaptação normal dos recém-chegados reforços, por um miolo de combate, com Assunção, Raul Meireles e Kaz/Cech, com a chegada do argentino e com a adaptação dos reforços, este sector poderá sofrer diversas alterações ao longo dos meses. Se, neste momento, não se vislumbra a integração de nenhum dos novos jogadores nas contas a meio-campo, a qualidade superior de Leandro Lima e de Mariano Gonzalez poderá lançá-los para a titularidade em jogos que se prevejam de maior pressão atacante. Já Kaz e Cech terão de aproveitar eventuais falhas de Raul Meireles, principalmente, embora me pareçam algo atrás, de momento.
  • Na frente, temos três velhos conhecidos da casa na liderança da corrida pela titularidade. Nas alas, o mágico Quaresma e o incansável Lisandro López partem na frente, embora o dispensado Tarik Sektioui também tenha efectuado excelentes exibições durante a pré-época. No lugar de ponta-de-lança, a luta disputa-se a quatro. Adriano é, de momento, o dono do lugar. Como alternativas, temos Ernesto Farías, um argentino que chega a Portugal com um currículo invejável no seu país, o jovem brasileiro Edgar e o já conhecido da casa Hélder Postiga. O português tem andado há muito tempo com um pé dentro do clube e outro fora, mas o que é certo é que foi opção para o jogo com o Braga e, devido a lesão de Adriano, prepara-se para ser titular no clássico de dia 26 no Dragão, frente ao Sporting. Farías ainda anda a contas com uma lesão e Edgar parece ser a quarta opção por agora.
Em resumo, a equipa titular do Porto, pelo que se tem percebido pelas intenções e opções de Jesualdo Ferreira, não deve fugir de: Helton; Bosingwa, Pedro Emanuel, Bruno Alves, Fucile; Paulo Assunção, Raul Meireles, Lucho Gonzalez; Lisandro, Adriano, Quaresma.

A época não começou da melhor forma para o clube do Norte. Habituados, nos últimos 20 anos, a ser figura principal do futebol português e, mais recentemente, figura de destaque também nas competições europeias, a derrota com o Sporting, na Supertaça Cândido de Oliveira, a 11 de Agosto, não foi propriamente um acontecimento normal para o clube. Ao contrário do que muitos vaticinavam, eu inclusivé, a equipa não vacilou e levou de vencida uma equipa do Braga cada vez mais competitiva. Por certo, não foi um jogo de encher o olho. Confesso que esperava mais de ambas as equipas mas, quando se tem um jogador como Quaresma num super estado de forma, arrica-se a que ele vença um jogo sozinho.

Domingo é dia de jogo grande contra o Sporting e os adeptos, jogadores e equipa técnica devem ter bem presente que saíram derrotados nos dois últimos jogos contra o clube de Alvalade. Espera-se, portanto, um jogo muito melhor do que aquele fraquinho espectáculo da Supertaça...

S.L. Benfica 2007/2008

Têm sido uns tempos muito agitados para o lado da Luz. Desde as saídas dos dois jogadores que, na minha opinião, foram o suporte de todo o futebol encarnado da época passada - Simão e Karagounis - e do melhor e mais certeiro homem da frente - Miccoli -, à saída do treinador Fernando Santos já após a primeira jornada da Liga e a primeira mão da pré-eliminatória de acesso à Champions, muitas têm sido as mudanças no Benfica. Quanto a saídas, de mais relevante temos então as referidas de Simão, Karagounis e Miccoli. A estas, podemos acrescentar a de Anderson que, apesar de não ser um bem-amado pelos adeptos, é um central que fez diversos jogos pelo clube e, segundo se diz, estará numa lista de reforços do colosso francês Lyon, para substituir o lesionado Cris. Tirando estes casos, o clube optou, e bem, por se livrar de todo um excedente de jogadores de pouca qualidade, emprestando um, vendendo outros, como são os casos de Beto, Marco Ferreira ou Karyaka.
Para substituir estes atletas, foram feitas apostas de futuro, em jogadores de mercados distintos e com uma mescla de jovens com grande margem de
progressão com alguns atletas já com alguma experiência. Para a baliza, o alemão Butt, para a defesa o bracarense Luís Filipe, Srtetenovic e Zoro; Manuel Fernandes chegou a ser reforço (até ver, estava a ser dos melhores...) mas foi vendido ao Everton. Sendo assim, o meio-campo parte como sector mais debilitado, tendo apenas recebido o argentino Andrés Diáz, que parece não ser propriamente um reforço, e o prodígio americano Freddy Adu que, até ver, ainda terá de enfrentar um complicado processo de adaptação a esta nova realidade. O grande reforço do plantel deu-se, então, na frente de ataque (e aqui estou a contemplar avançados, pontas-de-lança e extremos). Como figura de destaque surge Óscar Cardozo. O paraguaio surge com as melhores referências e todas as amostras que temos tido a oportunidade de observar neste início de época deixam antever o melhor. E, para ele, é bom que assim seja pois o elevado preço da sua aquisição (9 milhões de Euros) coloca um peso enorme sobre si. Também da Argentina, vieram mais dois atacantes: o versátil Bergessio
e o fantasista Di Maria. Para fechar, temos o jovem extremo-esquerdo ex-Rio Ave, e internacional sub-21, Fábio Coentrão.

Com todas estas alterações, e após termos visto dois pobres jogos frente a Copenhaga e Leixões, adversários que, teoricamente, são bastante inferiores, que futuro se pode augurar a este Benfica ?
Bem, é certo que ainda teremos de esperar por ver como o espanhol moldará a equipa, para ver qual será a táctica escolhida, a preparação dos jogadores, a vontade e determinação de agradar ao novo técnico, etc. Mas, tendo em conta tudo aquilo que já tenho como base de avaliação, vou procurar fazer a minha análise ao futebol das águias e respectivo onze titular.
  • Na baliza, penso que o Quim será titular. Entendo os motivos da contratação de um guarda-redes experiente como o Butt mas penso que o lugar é do português. E o problema não está aqui, por certo.
  • Na defesa, há três nomes que não deverão deixar de estar certos: David Luiz, Luisão e Léo. E não foi por acaso que coloquei o jovem brasileiro em primeiro lugar pois, e por mérito seu, parece-me ser o melhor defesa da equipa. Por fim, espera-se uma luta acesa entre Nelson e Luís Filipe pelo lugar de lateral direito, embora o recém-contratado leve ligeira vantagem. A ver vamos se será assim com Camacho. Miguelito, Zoro e Sreten estarão na calha para substituir os restantes.
  • No meio-campo, Petit e Rui Costa são indispensáveis. Katsouranis está num plano muito próximo. Resta, então, perceber se o esquema do Engenheiro será mantido ou se, por outro lado, se dará um regresso ao 4-3-3. Inicialmente, parece-me que o 4-4-2 será para manter e, posto isto, faltará definir uma posição no miolo. Para este lugar há muitas hipóteses. Nuno Assis, Adu, Di Maria, Fábio Coentrão. Um deles poderá ser opção... A ver vamos !
  • Na frente de ataque, Cardozo é intocável. A seu lado, Camacho poderá optar entre a garra de Bergessio ou a experiência de Nuno Gomes.
De momento, a melhor solução penso que passa por: Quim; Luís Filipe, David Luiz, Luisão, Léo; Petit, Katsouranis, Nuno Assis, Rui Costa; Nuno Gomes e Cardozo.

Estou curioso para ver o Benfica dos próximos tempos. Pessoalmente, e embora não o ache nada de especial como líder de grupo (e digo "líder de grupo" em vez de "treinador", pois acho que a sua principal falha está ao nível da psicologia de grupo), tenho a ideia de que a culpa do estado actual do clube não era do Eng. Fernando Santos. Passo a explicar...
As contratações feitas pelo Benfica, especialmente Cardozo, Adu e Di Maria, são um forte pronuncio de aposta séria na equipa, não só a curto como também a médio prazo. Até aqui, temos de tirar o chapéu a Luís Filipe Vieira e seus colaboradores. O problema está nas constantes declarações algo megalómanas do Presidente. Por um lado, consigo compreendê-las no sentido de moralizar as tropas, de galvanizar os adeptos em período de pré-época (ouvir um "O Benfica tem o melhor plantel dos últimos 10 anos e vamos ser campeões certamente!" servirá sempre para empolgar muita gente e, adicionando a isso a fome de futebol que se costuma sentir por essas alturas, e é raro não acabar por se saciar a fome na loja oficial do clube...), até de enviar uma mensagem aos adversários... Mas estas afirmações têm repercussões bastante rápidas, caso tudo não corra ás mil maravilhas, como aconteceu.
Esta situação não é virgem. E, como é LFV quem manda, tem conseguido resolvê-las de forma simples... Seja desviando as atenções para outros lados (Apito Dourado, por exemplo), seja mandando o treinador embora, seja trazendo um novo jogador apelidando-o de novo craque, qualquer coisa tem servido.
A meu ver, esta não é a melhor estratégia.

Resta agora perceber como ficarão as coisas com Camacho...


...e cá estarei para comentar.